Nas reuniões. mediunicas, como proceder? Devemos chamar os espíritos ou deixar aberto a comunicação?
Nas reuniões. mediunicas, como proceder? Devemos chamar os espíritos ou deixar aberto a comunicação?
11/06/2026
Como proceder nas reuniões mediúnicas segundo a Doutrina Espírita
Nas reuniões mediúnicas, a orientação doutrinária não é deixar a comunicação inteiramente aberta e sem direção, nem transformar a evocação em ato de comando sobre os Espíritos. Segundo O Livro dos Médiuns, conforme Allan Kardec, os Espíritos podem comunicar-se de duas maneiras: espontaneamente, quando vêm por iniciativa própria, ou por evocação, quando atendem ao chamado que lhes é dirigido.
A questão central, portanto, não é escolher de modo absoluto entre “chamar” ou “deixar vir”, mas compreender que a reunião deve ser conduzida com recolhimento, seriedade, sinceridade, discernimento e controle moral do ambiente.
1. Os Espíritos podem vir espontaneamente ou por evocação
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Das evocações”, Allan Kardec ensina que os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou acudir ao chamado feito a eles. Isso significa que a comunicação mediúnica pode ocorrer tanto pela iniciativa do Espírito quanto pela iniciativa dos encarnados que o chamam.
Entretanto, Kardec considera erro excluir completamente uma dessas formas. As comunicações espontâneas têm sua utilidade, porque o Espírito que vem por si mesmo pode manifestar o desejo de conversar e, estando disposto, comunicar-se com mais liberdade. Por outro lado, a evocação direta também tem uma função importante, pois estabelece uma espécie de vínculo entre o Espírito chamado e os participantes da reunião.
De acordo com O Livro dos Médiuns, a chamada direta de determinado Espírito constitui um laço entre ele e os encarnados, pois o chamado é feito pelo desejo dos participantes, o que opõe uma espécie de barreira aos Espíritos intrusos. Assim, a evocação não deve ser entendida como imposição, mas como uma direção dada ao trabalho.
2. Por que não convém deixar a comunicação “aberta” sem direção
Segundo O Livro dos Médiuns, deixar de chamar qualquer Espírito em particular pode equivaler a abrir a porta a todos os que queiram entrar. Kardec compara essa situação a uma assembleia em que não se concede a palavra a ninguém: se ninguém é chamado, todos podem querer falar ao mesmo tempo ou tomar a palavra indevidamente.
Esse ensinamento mostra que uma reunião mediúnica não deve ser conduzida de modo desordenado, como se qualquer Espírito pudesse manifestar-se livremente, sem critério e sem exame. A ausência de direção favorece a intromissão de Espíritos levianos ou inferiores, especialmente porque, segundo Kardec, há sempre Espíritos em torno dos encarnados, muitas vezes de condição inferior, desejosos de comunicar-se.
Portanto, deixar aberto não é o procedimento mais seguro quando não há domínio, vigilância e capacidade de discernimento. A reunião deve possuir uma orientação moral e doutrinária clara.
3. A evocação não significa obrigar os Espíritos
A Doutrina Espírita também ensina que os Espíritos não estão sujeitos ao capricho dos médiuns nem dos participantes. Segundo O que é o Espiritismo?, no trecho sobre “Médiuns e feiticeiros”, Allan Kardec esclarece que ninguém pode constranger um Espírito a responder ao chamado. Os Espíritos não estão às ordens de ninguém.
Assim, evocar não é mandar, dominar ou obrigar. A evocação é um chamado respeitoso, feito dentro de uma finalidade séria. O Espírito pode comparecer ou não; pode falar ou permanecer silencioso; pode não estar disposto ou não ser capaz de responder no sentido desejado.
Por isso, segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Das evocações”, pode acontecer que o Espírito chamado não esteja disposto a falar. A evocação, portanto, deve ser sempre compreendida dentro dos limites da liberdade dos Espíritos.
4. A prece e o recolhimento devem preceder os trabalhos
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Dissertações espíritas — Sobre as sociedades espíritas”, Santo Agostinho recomenda que as sessões comecem por uma invocação geral, como uma prece, para dispor os participantes ao recolhimento.
O ensinamento é claro: sem recolhimento, as comunicações tendem a ser levianas. Os bons Espíritos vão aos lugares onde são chamados com fervor e sinceridade. Assim, antes de qualquer manifestação, a reunião deve preparar moralmente o ambiente.
Essa invocação geral não é uma abertura indiscriminada a qualquer Espírito. Ela é uma elevação do pensamento a Deus e um pedido de assistência dos bons Espíritos, criando uma disposição íntima favorável à seriedade do trabalho.
5. A influência do meio é decisiva
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Da influência do meio”, todos os Espíritos que cercam o médium o auxiliam, para o bem ou para o mal. Isso significa que a qualidade moral e mental do ambiente influencia diretamente as manifestações.
Kardec ensina que os Espíritos superiores não vão às reuniões onde sabem que sua presença será inútil. Eles não se comprazem em ambientes fúteis, irônicos ou dominados pela leviandade. Nos meios simples, mas sinceros, os bons Espíritos podem comparecer de boa vontade; nos meios instruídos em que domina a ironia, prevalece outro tipo de manifestação, adequada à natureza do ambiente.
Dessa forma, o primeiro cuidado de uma reunião mediúnica não é apenas decidir se haverá evocação ou comunicação espontânea, mas formar um meio sério, recolhido e sincero.
6. Comunicações espontâneas podem ser aceitas, mas com vigilância
As comunicações espontâneas não são rejeitadas pela Doutrina Espírita. Segundo O Livro dos Médiuns, elas não apresentam inconveniente quando os participantes estão “senhores dos Espíritos” e certos de não deixar que os maus tomem a dianteira.
Isso quer dizer que a comunicação espontânea pode ser útil e até admirável, desde que haja:
- Seriedade no ambiente;
- Recolhimento dos participantes;
- Discernimento sobre a natureza da comunicação;
- Exame rigoroso do conteúdo recebido;
- Cuidado para que Espíritos levianos não conduzam a reunião.
Sem essas condições, deixar tudo aberto pode favorecer comunicações frívolas, grosseiras ou mistificadoras.
7. A natureza da comunicação deve ser examinada
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Da natureza das comunicações”, as comunicações refletem a elevação ou a inferioridade dos Espíritos. Kardec as classifica, conforme seus caracteres, em grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas.
As comunicações grosseiras procedem de Espíritos inferiores e trazem termos que chocam o decoro. As frívolas vêm de Espíritos levianos, zombeteiros ou brincalhões, que pouco se importam com a verdade. As pessoas que se comprazem nesse gênero de comunicação dão acesso a Espíritos levianos e falaciosos, enquanto os Espíritos sérios se afastam.
Por isso, o critério da reunião mediúnica não deve ser apenas permitir a manifestação, mas verificar a qualidade moral e intelectual da mensagem. Segundo O Livro dos Médiuns, o exame escrupuloso é uma garantia contra comunicações más.
8. Quando houver perguntas, devem ser claras, sérias e ordenadas
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Das perguntas que se podem fazer aos Espíritos”, Kardec ensina que é muito importante considerar a forma e o fundo das perguntas.
Quanto à forma, as perguntas devem ser feitas com clareza e precisão, evitando questões complexas. Quanto ao fundo, devem ser sérias, pois a natureza da pergunta pode provocar resposta exata ou falsa. Kardec também ensina que se deve evitar perguntas feitas apenas para pôr à prova a perspicácia dos Espíritos.
Isso se aplica diretamente às reuniões mediúnicas: se houver evocação ou comunicação orientada, ela deve ter finalidade útil, moral e instrutiva, não curiosa, leviana ou provocadora.
9. O papel dos médiuns exige prudência
Segundo O Livro dos Médiuns, no capítulo “Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas”, as comunicações podem vir de Espíritos desencarnados, mas também pode haver participação do próprio Espírito encarnado do médium. Por isso, Kardec recomenda estudar as circunstâncias e a linguagem para distinguir a origem da comunicação.
O médium é instrumento, mas não deve ser considerado infalível. Segundo O que é o Espiritismo?, no trecho “Dos médiuns”, a mão do médium pode ser conduzida por movimento involuntário, e certos médiuns têm consciência maior ou menor do que escrevem. Ainda assim, a ciência espírita exige observação, comparação e estudo.
Assim, a reunião mediúnica deve manter disciplina e análise, porque nem toda comunicação recebida deve ser aceita sem exame.
10. Procedimento doutrinário equilibrado
Segundo a orientação de Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, o procedimento mais conforme à Doutrina Espírita pode ser resumido assim:
- Iniciar com prece ou invocação geral, buscando recolhimento e assistência dos bons Espíritos.
- Manter ambiente sério, sincero e respeitoso, evitando curiosidade, ironia, leviandade e desordem.
- Não deixar a comunicação totalmente aberta, sem direção, porque isso facilita a intromissão de Espíritos levianos ou inferiores.
- Evocar quando houver motivo sério e finalidade útil, sabendo que o Espírito chamado não é obrigado a comparecer ou responder.
- Aceitar comunicações espontâneas com critério, desde que sejam examinadas e não contrariem a seriedade do trabalho.
- Analisar rigorosamente o conteúdo das mensagens, observando linguagem, elevação moral, coerência e finalidade.
- Evitar perguntas fúteis, curiosas ou destinadas a testar os Espíritos, pois isso pode atrair respostas inadequadas.
- Reconhecer que os bons Espíritos se aproximam pela sinceridade e pelo recolhimento, e que os Espíritos inferiores encontram acesso onde há frivolidade.
Conclusão
Segundo a Doutrina Espírita, conforme Allan Kardec em O Livro dos Médiuns e em O que é o Espiritismo?, nas reuniões mediúnicas não se deve manter uma comunicação aberta e sem direção. O procedimento mais seguro é iniciar com recolhimento e invocação geral, pedir a assistência dos bons Espíritos, permitir comunicações espontâneas quando houver condições de discernimento e realizar evocações quando houver finalidade séria, sempre sem pretender constranger os Espíritos e submetendo toda comunicação a exame cuidadoso.
